Porta-voz da chancelaria iraniana apontou que países signatários ‘perceberam’ que segurança regional não pode ser garantida confiando em ‘falsos intermediários’ como Washington
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou nesta segunda-feira (10/08) que o novo acordo de defesa assinado entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia sinaliza que os países mudaram sua percepção referente à segurança regional e notaram que ela não pode ser garantida confiando em potências estrangeiras, como os Estados Unidos.
A posição foi dada em uma coletiva semanal, durante a qual Baqaei abordou o tratado trilateral de defesa mútua firmado pelas três nações do Oriente Médio na última sexta-feira (07/08), tendo como pano de fundo a guerra promovida por Washington e Tel Aviv contra o país persa. Os três signatários foram fortemente afetados pelo bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, uma medida retaliatória tomada por Teerã contra os países agressores.
“Os países da região perceberam que segurança não é uma mercadoria que pode ser comprada de falsos intermediários”, disse o porta-voz da chancelaria iraniana em referência aos Estados Unidos.
Baqaei observou que o Irã tem constantemente pedido aos países da região que cooperem e fortaleçam sua própria segurança sem depender de atores estrangeiros.
“Qualquer plano baseado nas realidades geopolíticas e históricas da região, que seja abrangente e inclusivo, que identifique corretamente o inimigo e a ameaça, tem chance de ajudar a fortalecer a segurança e prevenir instabilidade e abusos por parte do inimigo sionista e seus aliados”, destacou. “Os países da região não podem se basear na alegação de segurança fornecida pelos EUA, como no passado”.
Porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei aponta que Teerã tem constantemente pedido aos países da região que cooperem e fortaleçam sua própria segurança sem depender de atores estrangeiros
Mohammad Hosein Movahedinejad/Tasnim
Segundo o representante, os ataques do regime sionista e dos norte-americanos ao Líbano, Palestina e Síria, bem como suas ameaças no Oriente Médio, fortaleceram a compreensão de que as nações da região não podem mais contar com as alegações falsas dos Estados Unidos para garantir segurança.
O porta-voz iraniano também disse que o próprio governo norte-americano contribuiu para a insegurança na região, argumentando que o Estado de Israel não poderia ter realizado suas ações militares sem o apoio de Washington.
Embora os três países sejam aliados-chave dos Estados Unidos na região, apenas a Turquia mantém relações com Israel. Ainda assim, Istambul se manifesta publicamente contra Israel em determinados momentos, com o presidente Recep Tayyip Erdogan frequentemente comparando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao líder nazista Adolf Hitler, acusando o regime sionista de cometer genocídio em Gaza e oferecendo consistentemente apoio diplomático ao Hamas.
Baghaei também afirmou na segunda-feira que as negociações com Omã sobre o acordo de cessar-fogo estão “progredindo de forma suave e construtiva.” Conforme o porta-voz, o acordo foi alcançado sobre um mapa de rotas marítimas, enquanto algumas questões técnicas permanecem sem solução.
(*) Com Tasnim



